terça-feira, 19 de agosto de 2008

Tênis capacete: um não a caminho do sim

Final de semana passado assisti a um documentário muito bacana com o pessoal de design da Puma. Pra quem não conhece, a Puma é uma fabricante de artigos esportivos que tem como estratégia de posicionamento de marca ser a mais inovadora e fashion do mercado.

Acompanhei a peregrinação do executivo principal de criação e sua equipe, responsáveis pelo desenvolvimento de novos calçados. Eles viajam o mundo em busca de novidades, tendências e inovação. Para criar um novo tênis, buscam referências em outros equipamentos como mochilas, motos, arquitetura, tudo que leve um design bem aplicado como forma de diferenciar o produto dos demais de seu mercado.

Na ocasião, chegaram à conclusão de que criariam um tênis que passasse segurança aos seus usuários. Inspirado nos capacetes de moto, desenvolveram um tênis que utilizava plástico flexível e dava a idéia de ser blindado, passando a segurança desejada, sem deixar de ser bonito. Pense num capacete transformado em tênis e terá uma idéia do que esses caras estavam pensando em fazer...

Da idéia para o desenho foi um pulo. E os desenhos viraram tênis-protótipos feitos em Taiwan especialmente para apresentação a toda diretoria mundial. Uma vez aprovados, chega a hora da prova de fogo: levar o protótipo para as ruas, mostrar para as pessoas e colher suas impressões.

Pessoalmente, o executivo e sua equipe mostrou o tênis "seguro" para pessoas em Londres e Nova York. Elas olhavam, calçavam e falavam a respeito. E o resultado foi inesperado pra mim! Pouquíssimos disseram que usariam tal tênis. Aliás, a maioria definitivamente não usaria aquele tênis. Poucos entenderam o conceito e exigiram explicações mais aprofundadas. E quando um designer precisa explicar muito um conceito, isso normalmente é um péssimo sinal...

Todo esforço e dinheiro aplicados no projeto pareciam ter terminado num grande fiasco. Mas não para o pessoal da Puma! O executivo fecha o documentário com uma lição digna de aparecer no meu blog, dizendo: "Sabe que eu gostei muito do resultado junto ao público? Se o público tivesse entendido de cara o conceito ou comparasse e reconhecesse que nosso protótipo é parecido com algo que já viram ou já usaram em suas vidas, isso seria um problema. Afinal, estamos falando de um produto inovador, sem nenhum precedente no mercado. Como a maioria reagiu assim, é sinal de que ele é realmente algo muito inovador e que vai atender nossos objetivos ao ser lançado em um ou dois anos. Se todos tivessem assimilado de cara o conceito, quando ele viesse a ser lançado, já entraria no mercado defasado e daria prejuízo...".

Este é um caso típico de um não que é meio caminho para o sim. Esta história também me lembra do caso do lançamento das fotocopiadoras. Esta foi uma invenção da IBM. A IBM perguntou para o público o que achavam da engenhoca que tirava cópias de documentos impressos. O pessoal torceu o nariz. Afinal, se já tínhamos o papel carbono para fazer cópias em máquinas de escrever, pra que desembolsar dinheiro por uma máquina dessas? O projeto foi engavetado e depois vendido a preço de banana para a Xerox, que na época fez outra leitura da pesquisa da IBM, pensando como a turma da Puma faz hoje em dia com seus lançamentos.

E de inovação em inovação, vamos aí tirando nossas Xerox, usando nossos Post-its, comprando um celular novo a cada lançamento... E se nos perguntarem hoje, não saberemos dizer como conseguiríamos viver sem tudo isso em nossas vidas.

Reservei meu tênis capacete... Já garantiu o seu?

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Blogando com seu Ananias

- Filho, precisamos conversar! - diz o pai ao filho adolescente, enquanto fecha o jornal de Domingo.
- ...
- Filhoooooo! Precisamos conversar!! Desliga esse radinho branco um pouco, por favor!
O filho suspira fundo, tira o fone de seu iPod de uma das orelhas e pergunta, um tanto impaciente:
- Oi?
- Seguinte, filhão. Papai tava aqui pensando... Você tá com 16 anos, já tá virando um hominho. O que você vai ser quando crescer?
- Pai, já sou quase o dobro do tamanho do senhor! - responde com um sorriso de adolescente bancando o sabichão.
- Engraçadinho... Eu sei, filhão! Essa geração de hoje cresceu demais mesmo... Mas tô falando da sua carreira. Vai começar como datilógrafo, que nem o papai?
- Fala sério, Seu Ananias! Isso lá é profissão??? - e arremata com ar orgulhoso:
- Fora que eu já trabalho...
O pai arregala os olhos com aquela cara de último a saber:
- Como assim já trabalha? Você não sai da frente daquele computador! Daqui a pouco aquilo frita seus miolos!! Mas... Trabalha com o quê?
- Ora, eu vivo da blogosfera!
- Saúde.
- Não espirrei, pai!! Sou blogueiro profissional, edito um blog sobre Rock'n Roll e outro sobre novidades inusitadas de tecnologia.
- Sei. Bem inusitado mesmo... Já ouvi falar desse negócio... Mas como você começou essa história de brógli?
- BLOG, pai!!! Bom, comecei pequenininho... Primeiro eu fui conhecer na blogosfera o que já rolava sobre os assuntos que eu queria editar em meus futuros blogs. Acompanhei alguns blogs por umas semanas através dos seus feeds, postei neles alguns comentários bacanas... Fiz com isso alguns amigos blogueiros! Depois, planejei o tipo de blog que eu queria, porque temos blogs distintos para funções distintas, sabe?
- Sei... Continua...
- Aí, visualizei como deveria ser a cara deles, as ferramentas de interação e o objetivo de cada um... Aí, procurei uma plataforma de blog que atendesse minhas necessidades, escolhi layout, coloquei os blogs de interesse no meu blogroll e mandei bala!
- Nossa, filhão... Ô menino esperto! Puxou o papai, hein? Mas e como o mundo sabe que seus blogs existem?
- Bom, hoje em dia um monte de outros blogs e sites me citam em backlinks... Mas antes de tudo cadastrei meus blogs nos sites Technorati (www.technorati.com) e BlogBlogs (blogblogs.com.br) e de lá o pessoal passou também a conhecer meu trabalho. Ganhei um monte de fãs! Além disso, cadastrei os blogs no Google Webmasters (www.google.com/webmasters) para o Google saber que meus blogs existem e eles aparecerem nas buscas que o pessoal faz por lá! Outra coisa bacana é que to usando o Google Analytics (www.google.com/analytics) também pra saber a quantas andam os acessos e com isso traçar algumas estratégias... Ah! E o pessoal assina meus blogs e recebem meus posts diretamente via feeds!
- Hum... E tá indo bem, é?
- Sim! Acabei me tornando uma referência nos dois assuntos que edito. Meus posts repercutem legal, pois sempre procuro manter meus blogs vivos e com assuntos interessantes pro meu público. Até alguns jornalistas me procuram pra montar suas matérias!
- Mas a pergunta que não quer calar: Como você ganha dinheiro com tudo isso?
- Existem várias formas... Mas eu escolhi ter parcerias com sites de comparação de preços, lojas virtuais e com o Google AdSense, fazendo meu tráfego gerar receita através de links patrocinados, cliques que eu direciono pra estes parceiros ou ganho comissão sobre as vendas que meus visitantes fazem através desta publicidade. Simples assim!

Nesse momento, o pai faz uma cara de paisagem, pensamento longe.... E salta da poltrona:

- Filhão, gostei de ver. Desliga o radinho e vem comigo no computador! Temos um blog para criar!
- Caraca, seu Ananias! Pegou o espírito da coisa, hein? E vai ser um blog de quê?
- Não é qualquer blog não, filhote... Vai se chamar "O Recanto do Datilógrafo"! O primeiro e único blog para amantes das máquinas de escrever! Arrasei, hein?
- Ô...

E lá foram os dois pro computador.