terça-feira, 24 de junho de 2008

Webfobia!

É estranho, talvez pra gente que viva da internet, em plena época de web-dois-ponto-zero-quase-três, constatar que ainda há muita empresa com medo da internet. E o que as assusta não é só ameaça de hacker, desconhecimento de tecnologia, vírus ou a dispersão dos seus funcionários navegando ao invés de trabalhar... No post de hoje, vamos entender o principal aspecto desta webfobia e como encará-la de frente, transformando o bicho-papão em um grande aliado.

Que a internet é um excelente canal para expor sua marca, produtos e serviços, acho que todos estamos de acordo. Mas ao mesmo tempo em que conseguimos utilizá-la para destacar todos os nossos aspectos positivos, assim como nos acostumamos a fazer nas mídias tradicionais, o que pega para muitos empreendedores e marketeiros que migram investimentos para a web é que este canal é bilateral, possui eco e também pode ser utilizada pelos consumidores para exporem ao mundo o que acham que temos de pior em nós. Eu continuo falando pro mercado como sempre, mas agora eu também tenho que ouvir ou pelo menos deveria estar ouvindo (e com muita atenção) as coisas boas e ruins que retornam pra mim.

E isso paralisa alguns. Quem vive a transição das mídias tradicionais para a internet, aprende com alguma dor-do-crescimento que há uma sensação leve ou pesada de perda do controle. Mas só há motivo para temer a interatividade deste canal quando o seu produto é ruim, sua propaganda é enganosa e você joga sujo. A esses, sinto muito, o medo é realmente justificável. Aos que trabalham sem se desviar dos valores que anunciam no site institucional, que buscam a excelência a cada dia e, principalmente, são honestos com seus consumidores, têm tudo a ganhar.

Ao se comunicar com seus consumidores na internet não minta. Não invente. Resista à tentação de fingir ser o que não é. Não que você tenha que se colocar para o público como um perdedor (longe disso), mas qualquer coisa que soe falso será sua morte. Ao falar com seu consumidor através de um blog, por exemplo, não precisa contratar jornalistas especializados em repetir aquela mesma ladainha dos press releases e de briefings para a agência. O consumidor online quer ser tratado com respeito, como um igual. E respeito é algo que se conquista através de exemplos e atitudes. Isso a gente nunca impõe ou compra.

Se você joga limpo, admite uma pisada na bola, agradece o puxão de orelha e - importante - apresenta sempre uma solução, você ganha o consumidor. E esse cara vai falar bem de você, porque você o trata como gostaria também de ser tratado quando é você quem está do outro lado do balcão. E por mais meios que o ser humano invente pra propagar sua mensagem, nada supera o bom e velho boca-a-boca. Amigo te dando uma dica é mil vezes mais respeitável que um banner te dizendo "me compra que eu sou a melhor coisa que você poderia querer nesse momento".

Estourou uma crise? Criaram um site "eu odeio..." pra sua empresa? Inventaram uma comunidade engraçadinha no Orkut para falar mal de você? Deu as caras no Reclame Aqui? Que bom! Agradeça a oportunidade. Oportunidade de vir à público, mostrar que é uma empresa séria e que resolve. Entre no jogo. Não na guerra. Nem na fuga. Mas parta do princípio de que enquanto houver gente falando de sua empresa, haverá oportunidade de fazer uma boa propaganda da sua empresa com muito mais solidez que qualquer outra forma de comunicação.

E quanto mais fizer isso, mais você conquista aliados. E este pessoal, que não ganha salário nem tem ações da sua empresa, vai sempre te acompanhar os passos e te defender lá fora, como se fosse também dono do negócio.

Isso se conquista, dá um pouco de trabalho, mas não pode ter medo!

sábado, 21 de junho de 2008

Quanto vale o show?

Quem viveu sua adolescência no século passado provavelmente se lembra do Show de Calouros, apresentado pelo Silvio Santos... Vinha o candidato no palco, apresentava seu número musical e então o Patrão passava a bola para sua banca de jurados perguntando: "Má-má-oeeee! Quanto vale o Showmmmmmm?". E lá ia o jurado atribuir um valor para o infeliz do calouro, que na maioria das vezes não valia nada (o calouro, não o jurado)...

Na nossa vida de marketeiros ou empreendedores precisamos muitas vezes agir como os jurados e atribuir um valor financeiro aos nossos produtos e serviços. Fazemos nossas contas e chegamos a um valor de mercado.

Fica um valor bacana - pensamos - mas aí nos aparece uma outra variável: o pentelho do nosso cliente também dá uma de jurado de show de calouros e diz quanto vale o nosso show.

É, meu amigo e minha amiga... Este ser humano chamado consumidor é quem julgará, no final das contas, se o valor que ele percebe é adequado ao valor daquilo que você oferece. Percebe?

Então, vamos entender como nosso cliente percebe o valor de nosso produto ou serviço. O valor percebido, já adianto pra vocês, é algo subjetivo. Eu e você julgamos um produto ou serviço baseados nas nossas emoções particulares, utilizando critérios pessoais para tangibilizar aquele valor e definir se ele é razoável ou não. Complicou? Vamos a um exemplo simples: você é uma pessoa que gosta muuuuuuito de café, praticamente um cafólatra. Mas não é qualquer café que o satizfaz. Você é praticamente um barista, gosta de degustar sabores distintos, de preferência em um ambiente aconchegante, com muito requinte e - por que não? - que esteja na moda. Você é daqueles que não se importariam em pagar mais de R$10,00 por um cafezinho na Starbucks, por exemplo. Para outros, que sequer tomam café e não ligam a mínima para frequentar lugares da moda, isso é jogar dinheiro fora.

Analise as coisas nas quais você estaria disposto a colocar seu rico dinheirinho e veja como esta disposição muda nas pessoas à sua volta. Analise também que quando você vê alguém gastando dinheiro com algo que você julga inútil (ou sem valor percebido para você), costumamos logo emendar o julgamento com a frase: "com esse dinheiro todo, eu compraria tal e tal coisa". Aí está a percepção de valor de cada um. O que vale muito pra você, pode não valer nadica de nada para seu vizinho. E vice-versa.

E é aí que mora a grande sacada do post de hoje: entender o que tem valor para seu público-alvo (e não necessariamente pra você) e entregar este valor para ele é o grande passo para ser bem recebido no mercado que deseja atuar. E a boa notícia, para fecharmos com chave de ouro, é que sabendo gerar o valor certo para os clientes certos, este valor acabará sendo mais relevante que o próprio preço. Você não só deixará de perder clientes, como poderá até aumentar seus preços e continuar vendendo bem. Depende apenas de como seu produto ou serviço é percebido.

Planeje, identifique e apresente o valor certo ao público que quer atingir. O resto, literalmente, é lucro.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Antes de mais nada, a criatividade

Estamos iniciando aqui neste blog nossa saga pelo universo do marketing, internet e comportamento humano. Muitas coisas que discutiremos aqui passarão, obrigatoriamente, por acharmos soluções criativas para chegarmos lá - onde quer que seja esse "lá" que desejamos chegar. Então, antes de mais nada, vamos falar de criatividade.

Adoro conhecer histórias de gente que reinventou o mundo. O figura pega uma situação, um fato ou um produto, sai do seu contexto usual e traz à luz uma nova forma de viver aquela coisa, de aplicá-la ao nosso dia-a-dia e, principalmente, de gerar novos negócios.

Então, vamos ao que interessa! Como pensar fora da caixa, em 9 dicas espertas do Maruxo, versão 1.02:

1- Conteste a ordem natural das coisas: não precisa fazer uma passeata na Paulista... Mas questione o por quê de certas coisas serem sempre daquela maneira e brinque com a idéia de como seria se aquilo fosse feito de forma diferente. A internet é algo novo. Tentar colocar as coisas de sempre nela tem funcionado, mas um Google só é o que é porque criaram algo diferente ali dentro.

2- Busque novas referências: estudar sobre seu negócio ou campo de atuação é fundamental, mas se você ficar só nisso, vai restringir muito sua visão. Leia livros sobre curiosidades, sobre outras atividades, tenha contato com a cultura. Nesta mesma linha, invista em cursos de atividades diferentes e assine revistas sobre temas que você não vivencia no seu dia-a-dia. Quando precisar de uma solução criativa para seu negócio, quanto mais referências de fora dele você tiver, mais facilmente virão as novas idéias.

3- Conheça a Mãe Natureza: quantas invenções do homem são réplicas do que a natureza já fazia desde que o mundo é mundo? Preste atenção na natureza, há muita sabedoria aplicada ali e um mundo de novas idéias só esperando por você. Sim, as baratas existem para algum fim útil. Descubra isso, usando sua criatividade.

4- Ouça gente: converse com gente de fora do seu meio social, acadêmico ou corporativo. Ouça o cliente. Ouça o taxista. Ouça sua sobrinha pré-adolescente (naquele raro momento em que ela tira o iPod do ouvido). Ouça seu cachorro. Ouça a tia do cafezinho e o porteiro do seu prédio. Faça contato com outras visões de mundo.

5- Saia da rotina: mude de vez em quando o que é feito sempre igual por você. Com isso, estará treinando sua mente a sair da rotina do pensamento de sempre também. Parar de ler propostas de consultoria de web marketing começando pelo final para ver o preço dela seria um bom início...

6- Não tenha medo do julgamento alheio: praticamente toda pessoa que inovou, foi criticada. Quando você se propõe a sair do lugar-comum, compra uma briga com o mundo. Mas se você acredita na idéia que teve, não permita que digam que é boba, por mais boba que seja. E não parta para a agressão. Isso não é nada criativo...

7- Conhece-te a ti mesmo: quem se conhece um pouco mais a cada dia, se ajuda a ter insights. Complicado? Faça uma ego trip de vez em quando e veja quanta coisa mora ali que você não sabia.

8- Incentive a inovação à sua volta: ao perceber que o povo está se contagiando pela sua nova onda de criatividade, incentive todos para serem criativos também! Neste processo, haverá um ciclo que sempre se retroalimenta.

9- Simplifique: a dica mais importante, mas não a mais fácil de se colocar em prática... Pense simples, busque soluções simples. O simples é mais barato e, muitas vezes, é também mais rápido de implementar. Adoro aquela história da corrida espacial entre os EUA e a antiga União Soviética: os caras estavam precisando de uma solução para os astronautas conseguirem escrever, do espaço, com gravidade zero. Enquanto os EUA gastavam milhões em pesquisas para criar uma caneta esferográfica que funcionasse sem gravidade, a antiga URSS usou um lápis...

Por hoje é só. Não vou acabar o post com nenhuma tiradinha criativa. Deixo isso para seus comentários... Comentem! Vamos praticar! ;o)

quarta-feira, 18 de junho de 2008

A internet está virando interneta

Há alguns anos que acompanho com grande entusiasmo uma estatísca do relatório Webshoppers (www.webshoppers.com.br): a participação das mulheres no e-commerce. A cada ano que passa, o número vem crescendo e finalmente neste ano de 2008 elas mostraram a que vieram, já ultrapassando o número de meninos comprando pela internet em várias categorias de produtos.

E não é só no consumo do varejo eletrônico que uma silenciosa revolução pink vem acontecendo... Antes de serem compradoras online, elas são usuárias da internet. E o uso da internet de modo geral vem, a cada dia mais, com elas à frente. E a internet "feminina" vem com muita força ainda mais pela nova geração. As internautinhas, em maior número que os internautinhos mirins, vêm dando mostras de que este é um movimento irreversível em todo mundo.

Alguns números para embasar meu discurso: segundo mais recente pesquisa do IBOPE NetRatings sobre o uso da internet por mulheres, no Brasil os internautas residenciais ativos entre 02 e 11 anos de idade correspondem a 11,2% do total de 21,1 milhões de usuários brazucas online. Deste número, 6,1% são de meninas e 5,1% de meninos... Olha elas chegando aí!
As mulheres também ganham dos homens, com idade entre 25 e 34 anos, só que em menor número. Essa fatia corresponde a 17,8% do total de pessoas que acessa a internet de casa, 8,9% delas quase empatam com 8,8% deles. E isso é um reflexo de todos os países onde a internet já atingiu maturidade.

A internet está virando interneta. Criada por homens para homens, vive um momento de rever suas direções estratégicas e pensar sobre como fazer negócios com este público ávido por ser ouvido, respeitado e atendido em suas necessidades características de consumo.

Começamos a ver cada vez mais campanhas na internet só para as mulheres, mas muitos colegas de mídia reclamam de um problema: ainda são poucos os canais na internet mundial que falam a língua delas. O mercado está carente de ferramentas para atingir este público...

Opa! Para boa palavra, meio entendendor basta... Veja só que aí há oportunidades! E muitas!

Então, meus colegas de marketing ou futuros empreendedores em busca de bons negócios: mãos à obra! Chegou a hora, meus amigos, de finalmente entendermos as mulheres... Quais suas necessidades, seus aspiracionais, seus objetivos? Como fazê-las felizes e gerar bons negócios para todos? Faça sua lição de casa. Vá para Vênus, tome uma Coca Zero com elas e ouça-as muito - e até o fim.

Sejamos todos bem-vindos à internet de saias. O mundo virtual também é das mulheres.

terça-feira, 17 de junho de 2008

Blogar ou não blogar - o primeiro post a gente nunca esquece

Blogar ou não blogar, eis a questão. Blogar, Twittar, MSNar, Orkutar, Skypar, Wikar, tudo aí está em questão! Ou não?

A internet hoje já tem espinha na cara, já acha que tem idade pra beber e quer morar sozinha. Após mais de 15 anos, saindo do obscuro mundo acadêmico, finalmente chega para o povão. E o povão não quer passividade. Quer interagir, quer opinar, quer reclamar, quer deixar sua marca.

De fazedores de "home page" para "web 2.0", muita coisa mudou. A bolha estourou, meus cabelos caíram, empresas descobriram que dá sim para ganhar dinheiro, para atingir novos públicos, para chegar onde nenhuma empresa havia chegado antes.

Tudo em míseros 15 anos...

Seja bem-vindo ao meu Blog. Começaremos aqui uma viagem pelas novas características desse fascinante mundo de possibilidades ainda por descobrir. Com o mesmo entusiamo de um Américo Vespúcio, vamos explorar cada canto deste novo universo, do comportamento, do marketing da era digital... Blogar ou não blogar? Eis a questão!